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A transformação natural do CIO para o CDO

Os efeitos práticos da Transformação Digital implicam diretamente na criação e migração de cargos consolidados

 

Atualmente, quando se reflete sobre a evolução empresarial em termos de gestão e filosofia de negócio, é quase inconcebível ignorar o impacto da tecnologia e suas consequências para a realidade de empresas de todos os tamanhos e segmentos. Isso se estende à concepção do mercado quanto às funções que, tradicionalmente, exerceram certo protagonismo operacional, mas que sob uma ótica inovadora tendem a passar por uma transgressão necessária.

Como qualquer processo de aprimoramento, é natural que as coisas caminhem com certa hesitação. Para que a implantação de uma mentalidade inovadora seja efetiva, é fundamental que tais conceitos sejam trabalhados democraticamente, através de treinamentos ou consultorias pontuais. A figura do CIO (Chief Information Officer) representou por muito tempo a personificação do profissional responsável por cuidar do fluxo de informações de uma empresa. Com essa nova forma de enxergar o armazenamento, repasse e valorização dos dados, será de suma importância que a função passe por reinvenções.

Nesse sentido, olhando para organizações consolidadas em uma filosofia de dados modernizada, com a utilização recorrente de softwares específicos e o Business Intelligence (BI) atuando em prol da assertividade do negócio, o CDO (Chief Data Officer) é encarado como o resultado gradual que antigos CIOs virão a se tornar, se adeptos à Transformação Digital. No entanto, não se deve encarar esse fenômeno com receio ou preocupação.

 

Uma nova visão informacional

Além do avanço técnico e automatizado em setores operacionais das companhias, a tecnologia também contribuiu para uma nova forma de se enxergar o uso de dados, principalmente sob a perspectiva popular. Com a disseminação irrefreável de informações pela internet e a adesão livre de marcas quanto ao conteúdo concedido pelo consumidor, parou-se para refletir sobre segurança e consentimento. E essa preocupação não foi em vão: a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) estava prevista para agosto deste ano, porém devido a pandemia, foi adiada para 2021.

Em contrapartida, as empresas encontraram-se diante um cenário de extrema urgência. Para garantir a integridade dos dados adquiridos, é determinante contar com a simplificação de ferramentas assertivas. Isso posto, a liderança do CDO deve conduzir a ingressão e garantir que os processos sejam estratégicos e analíticos.

 

Mudança radical para a tomada de decisão

Realizando um exercício de reprodução do passado, podemos credenciar a tomada decisão por parte de líderes como CIOs a um embasamento teórico fragilizado. Sem retirar o devido valor de experiências passadas e a intuição sobre o mercado em que se está inserido, hoje em dia, essa caixa de conhecimento não garante a obtenção de resultados satisfatórios. O mercado está acompanhando tendências digitais, e sua competitividade beneficia os que ousam mudar.

Assim, sistemas de gestão empresarial unificam e transformam informações em verdadeiros ativos das empresas, e com a intepretação analítica, possibilita-se a base de projeções de mercado e conclusões preditivas. Tudo isso favorece à tomada correta de decisão.

 

O CDO é protagonista em uma cultura de Compliance

 

Nesse ano, mais do que nunca, encara-se o comprometimento com as normas vigentes como fator preponderante na credibilidade que uma organização transmite. O consumidor não se limita à qualidade do produto ou serviço, pelo contrário. Experiência, segurança e inovação são pilares centrais de uma mentalidade generalizada. O quadro para as marcas não é muito positivo: segundo um levantamento recente realizado pela IBM, 96% dos brasileiros acreditam que as empresas não protegem seus dados pessoais. Como reverter essa condição e se estabelecer como uma empresa diferente das demais? A porta de entrada à era digital passa pela figura do CDO.

Comprovando a abrangência da posição, a noção de Compliance fiscal e organizacional torna-se palpável através de uma política interna assegurada pela precisão de ERPs e preceitos de Business Intelligence. Gradualmente, o líder encarregado de suplementar o uso das informações se encontrará entregue à segurança informacional transmitida pela tecnologia.

Logo, os motivos para se adequar à transformação natural desse cargo são variados e denotam o imediatismo que o assunto exige. Reinventar-se faz parte do crescimento profissional de quem deseja conquistar novos patamares, e a transição de CIO para CDO surge como uma grande oportunidade de desenvolver novas técnicas e potencializar o conhecimento.